segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Medo, contos e noites

     O som daqueles trovões mais se parecia com gigantescas chibatadas partindo os céus e quase chegando até mim. Eu podia sentir aquela vibração penetrando meus nervos e fazendo meus músculos se contraírem um a um. Grandes chicotes de fogo que iluminavam como relâmpagos toda a floresta. Eu olhava apreensivo para o teto da barraca que pesava sobre as fortes chuvas. Eu estava sozinho, no meio da mata, sob um forte temporal, onde a escuridão reinava.
     O vento empurrava ondas de chuva sobre a lona e eu temia que mais cedo ou mais tarde a barraca se desmanchasse. Mas isso nem se comparava à aqueles sons que faziam minha espinha gelar. Os calafrios percorrendo minhas costas, se estendendo pelos braços enquanto minha mente divagava tentando não imaginar o que me observava lá fora. Eu apenas via sua forma escura e seus olhos vermelhos refletindo aqueles relâmpagos, e a cada raio ele estava mais próximo de mim.
     Fechei os olhos rezando para ser apenas um sonho, mas eu sabia que não era.
     Do meu lado, a menos de um metro daquela fina lona da barraca, um forte barulho de galhos se partindo me fez encolher-me nas cobertas. Outro relâmpago, ele não estava mais lá. “Será que deu a volta e está do meu lado?” pensei.
     O medo começava a tomar conta de mim. Eu estava sozinho.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

terça-feira, 7 de junho de 2011

Mega estréia do site Laifi

Nesta terça-feira estréia o grande site baseado na Filosofia Clínica: LAIFI. Nele você poderá colocar historicidades, pesquisas, integrar conteúdos, aprofundar elementos da existência. Informações completas durante a semana em nossos informativos.
http://www.laifi.com/



quinta-feira, 14 de abril de 2011

Estrutura de Pensamento - EP



Estrutura de Pensamento, ou simplesmente EP, é um termo utilizado na abordagem terapêutica denominada de Filosofia Clínica, e definida pelo Filósofo e Professor Lúcio Packter como “tudo aquilo que está em você” (indivíduo). Assim, uma EP se constitui das emoções, das verdades subjetivas, das concepções cerca do mundo e si próprio, das buscas e tudo aquilo que habita o indivíduo, consubstanciando-se, assim, naquilo que Filósofos Clínicos denominam de “Malha Intelectiva”. Essa EP, conforme coloca Packter, vai se construindo, modelando, sendo preenchida de formas, movimentos, conceituações ao longo da história e pode ser facilmente compreendida através da sua Historicidade do indivíduo ou grupo em questão.

NOTA: em Filosofia Clínica se utiliza os termos “história” e “historicidade”. Uma explicação simples para historicidade seria: historicidade é a história da pessoa contada pelo ponto de vista exclusivo dela. Ou seja, a historicidade é a versão que ela mesma forma da sua própria história de vida.

Percebe-se que sendo essa EP tudo aquilo que está em mim, logo esse “eu” é anterior à ela. Assim, em Filosofia Clínica, podemos compreender a Estrutura de Pensamento como um espaço que ao nascermos está em branco e que vai sendo preenchido e estruturado ao longo da vida. Este é um ponto fundamental, pois mesmo tendo Lúcio Packter uma explicação filosófica mais aprofundada para escolher esta forma de organização do “eu” e da EP, não pode-se deixar de notar que, ao assumir esta postura, a Filosofia Clínica acaba por não ferir algumas concepções de mundo adotadas por parcelas humanidade, como, por exemplo, a crença em outras vidas e da anterioridade do “eu”.

NOTA: a Filosofia Clínica possui um olhar “quase que científico” quanto à religiosidade e à espiritualidade, pois parte da historicidade do partilhante (paciente) e unicamente das suas concepções, num trabalho profundo de investigação filosófica a partir da sua historicidade, não cabendo à ela questões quanto à veracidade de fatos ou verdades universais, mas apenas analisando as verdades subjetivas do indivíduo ou grupo em si.

Packter, ao elaborar o sistema que seria utilizado para a montagem da Estrutura de Pensamento, dividiu esta em 30 Tópicos estruturais, e abriu a possibilidade para a inclusão de outros infinitos tópicos, assim chamados Tópicos Anômalos.


“A Estrutura de Pensamento abrange 30 tópicos estruturais, do grego Tópica, Lugar, ou seja, à muitos lugares nos quais nós encontramos as emoções, no entanto, no lugar onde nós mais à encontramos é exatamente aqui (indica no vídeo o Tópico 4 – Emoções).” (Transcrição de palavras do Profº Lúcio Packter em “Vídeos Caseiros de Introdução à Filosofia Clínica”)

Após ordenadamente colher a historicidade, o Filósofo Clínico se ocupa de retirar dela os seus conteúdos e elementos, distribuindo-os e sistematizando-os naquilo que chamamos de Estrutura de Pensamento. Aqui esbarramos com um dos principais diferenciais da Filosofia Clínica, pois nela não existe a realização de estudos de caso para uma generalização de resultados, métodos e sistemas, conforme frequentemente é realizado por outras terapias, seguindo uma idéia de método científico. Assim, o Filósofo Clínico considera cada pessoa única, com uma Estrutura de Pensamento individual e, portanto, aplicará procedimentos clínicos exclusivos conforme as características daquela EP, sem generalizações ou universalizações de regras terapêuticas.


Os 30 Tópicos que Lúcio Packter define para a Estrutura de Pensamento são:

 T1.      Como o mundo parece (fenomenologicamente);
 T2.      O que acha de si mesmo;
 T3.      T3p1 Sensorial & p2 Abstrato;
 T4.      Emoções;
 T5.      Pré-Juízos;
 T6.      Termos Agendados no Intelecto;
 T7.      Termos: T7p1 Universal, T7p2 Particular, T7p3 Singular;
 T8.      Termos: T8p1 Unívoco & T8p2 Equívoco;
 T9.      Discurso: T9p1Completo & T9p2 Incompleto;
 T10.     Raciocínio;
 T11.    Busca;
 T12.    Paixões Dominantes;
 T13.    T13p1 Comportamento & T13p2 Função;
 T14.    Espacialidade: T14p1 Inversão, T14p2 Rec. Inversão, T14p3 Deslocamento Curto e T14p4 Deslocamento Longo;
 T15.    Semiose;
 T16.    Significado;
 T17.    Armadilha Conceitual ;
 T18.    Axiologia;
 T19.    Tópico de Singularidade Existencial;
 T20.    Epistemologia;
 T21.    Expressividade;
 T22.    Papel Existencial;
 T23.    Ação;
 T24.    Hipótese;
 T25.    Experimentação;
 T26.    Princípios de Verdade;
 T27.    Análise da Estrutura
 T28.    Interseções de Estrutura de Pensamento;
 T29.    Dados da Matemática Simbólica;
 T30.    Autogenia;

T = Tópico
p = Partição (do tópico)

por Gilberto Sendtko

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Critérios de Lembraça


O que você lembra na vida?
Quais os critérios
- algumas pessoas só lembram o que é relevante;
- outras somente lembram daquilo que as tocou afetivamente;
- outras somente lembraram do que é marcante;
- alguns apagam o que é ruim e outros só lembram o que é ruim, e às vezes tomam por padrão voltar a aquele assunto dezenas de vezes, pessoas que ao contar a vida só vão lhes contar tragédias;
- existem pessoas que matematizam a história, ou seja, ela se lembram das coisas que estejam associadas ou relacionadas à números, grandezas, medidas e proporções;
- existem aqueles cuja relação se dá através de elementos sensoriais, ou seja, eles se lembram muito do gosto das coisas, dos aromas, da sensação do toque...;
- existem alguns cujas lembranças são totalmente abstratas, ou seja, eles lembram das idéias, dos pensamentos;

Cada um de nós tem critérios sob os quais lembra, esquece ou ainda apaga suas memórias.

Oras, mas qual a utilidade disso? Bom, sabendo quais os critérios utilizamos para lembrar determinados fatos, podemos assim também marcar nossas vivências com coisas que tornem a vida mais suave, mais viva, mais bonita, e igualmente podemos esquecer coisas que muito nos machucam.

terça-feira, 29 de março de 2011

Declaração


eu vou viver
enquanto a lua dançar sob os céus escuros
e enquanto as estrelas pulsarem
como pequenos vagalumes à iluminarem
um caminho que eu nunca sei
por onde vai passar
:)

domingo, 23 de janeiro de 2011


OS CAMINHOS INTERNOS E A ARQUITETURA DAS PALAVRAS - Analítica de Linguagem – Filosofia Clínica

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Quando a gente coloca uma palavra ou frase de forma consciente, aquelas coisas que a gente fala com conhecimento, pensando naquilo dentro de um determinado contexto e tudo mais, essa frase, essas palavras tem encadeamentos próprios, tem conectivos internos próprios do indivíduo. Se eu falo assim para você: a brisa, a brisa macia, a brisa morna no verão. Imediatamente isso tem dezenas de ligações diretas com outros elementos diversos. Eu provavelmente lembro do vento subindo os rochedos do Morro dos Conventos, lembro o vento macio da tarde soprando pelo riu Ararângua em direção ao mar. Isso também me dá acesso à centenas de coisas periféricas e indiretamente ligadas à isso. Então surge o desejo de ir à praia, de descansar uns dias, de colocar os pés no riu, essas coisas.
Essa frase, essas palavras também excluem dezenas, centenas de outras manifestações indiretas que nada tem haver com ela. Muitos não se dão conta destes aspectos de uma arquitetura interna das frases e dos pensamentos durante as conversas.
Existe essa arquitetura de conceitos de palavras dentro de cada um de nós. Usando aqui de analogia: assim como temos na garagem o carro, as ferramentas de jardim, ferramentas de concerto, isso está infinitamente distante da nossa biblioteca e a dificilmente ligamos ou relacionamos uma coisa à outra. Muitos conceitos, muitos termos dentro de nós também passam por esse tipo de arquitetura. É uma arquitetura que pressupõe tendências, contradições, continuações, afinidades. Um exemplo bem concreto seria você conversar com uma pessoa sobre paz, sobre serenidade, sobre amor, e essa pessoa está tumultuada, cheia de ódio, cheia de mágoa. Para essa pessoa a conversa pode ser tão grotesca quanto se no meio de uma valsa suave fossem colocados sons de explosões de rochas e de pedras caindo. A pessoa diz: nossa, mas o que uma coisa tem haver com a outra? Não tem nada haver!
Vamos à um exemplo ainda mais próximo do cotidiano dos tempos em que estamos vivendo. Uma pessoa que diga algo como “não da mais, preciso sair dessa, preciso mudar de vida, preciso modificar as coisas”. Quando uma pessoa faz uma frase dessas e a formula, o que acontece dentro dessa pessoa? Qual é a arquitetura que envolve essa construção de frase? Pela maneira como essa frase está colocada dentro da pessoa, o lugar que ocupa, pelas ligações diretas e indiretas como acabamos de ver que ela encera, essa pessoa, por exemplo, às vezes não tem nada associado à isso, ela não tem nenhuma vivência relacionada à isso, então o pensamento se torna errático, ele fica caótico, fica desordenado e vaga pelo mundo e acaba encontrando alguma coisa que sugira uma resposta, ou acaba encontrando o nada, que as vezes também é a resposta da pessoa.
Outras vezes, com a arquitetura já pronta, a pessoa percorre caminhos até previsíveis, assim como o corredor da nossa casa leva aos toaletes, leva aos quartos, leva ao jardim, à sala, também determinados pensamentos se tornam óbvios pelos caminhos que eles enceram dentro deles, e pela continuação que eles desenvolvem como encaminhamento.
Olha a importância disso é muito grande. Conhecendo a historicidade da pessoa, conhecendo a Estrutura de Pensamento dessa pessoa, quando ela diz para a gente algo do gênero “olha não da mais, eu preciso mudar de vida, não sei o que fazer”, nós, através da estruturação dessas palavras, dos caminhos aos quais elas levam, dos encadeamentos diretos e indiretos e da arquitetura de pensamento que envolveu essa construção de frase, poderemos abrir janelas nessa arquitetura. Podemos construir jardins, enseadas. Podemos trazer o sol e a chuva, podemos fazer parar o sol e a chuva, e outras coisas mais. Às vezes é possível fazer-mos isso e até mais do que isso.
Nesse mesmo caso, por exemplo, conhecendo a pessoa, podemos agendar nela algo direto, do tipo “olha faça isso, faça o seu curso de administração, é esse o caminho”. E é claro que eu não direi isso por que eu acho, eu vou dizer isso por que conhecendo a estrutura de pensamento dessa pessoa, eu saberei que esse é um dos caminhos que se anunciam e o melhor a ser tomado. Ou ainda eu posso interrogar a pessoa “o que você acha que eu posso fazer? O que quê você acha que é o caminho? Por que quê tem que ser assim e tudo mais?”. E mais uma vez é claro que eu só o farei se isso tiver haver com a pessoa, se for da natureza da sua Estrutura de Pensamento que questionamentos lhe mostrem o caminho.
Ou podemos utilizar proibições do tipo “não faça isso, evite isso e tudo mais”. É evidente que tudo isso só faz sentido a partir do modo de ser da pessoa no mundo, senão nós caímos no chute, na experimentação fortuita e isso é perigoso.
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Transcrição e adaptação de palavras do Profº Lúcio Packter por Gilberto Sendtko.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Felicidade

 

É estranha a sensação que finalmente pulsa dentro de mim nesse agora feliz.

Estranha, pois pensei que nunca a sentiria.

Estranha, pois a desejei tanto em um outrora cheio de lagrimas que sua imagem ja se encontrava turva.

Estranha, pois sempre a tive tão perto de mim em meus pensamentos e tão distante ao meso tempo.

Estranha, pois a vida finalmente sorri e eu estou tão acostumado com as lagrimas.

Estranha, pois o passar das trevas para luz é sempre algo cheio de sensações indescritíveis, de cores novas, de tons vibrantes.

Estranha, pois já não me vejo sem ela; minha mente não mais consegue criar imagens de sí mesma sem essa criatura que me trousse paz.

Estranha, pois mesmo que ainda não seja totalmente minha, sinto como ela sempre o ouvesse sido.

Estranha, pois sei que o meu futuro ja está escrito ao seu lado e as lutas já não mais serão necessárias.

Estranha, pois agora as batalhas parecem tão distantes, e mesmo assim meu coração parece armado para disputar com todas coisas que se movem ao seu redor.

Estranha, pois tenho medo de acordar de um lindo sonho e me ver outra vez em meio às sombras, em meio às lagrimas, em meio às profundezas.

Estranha, pois tudo o que é perfeito também gera estranheza ao espírito humano;

Perfeita, pois finalmente pulsa dentro de mim aquilo para o qual nasci, essa felicidade que somente ela pode me dar, essa vida que somente agora me está sendo oferecida.

E grato lhe digo que permaneça sempre como uma sensação estranha, para que eu nunca acorde deste lindo sonho, para que a vida possa continuar sorindo, para que pulse ainda mais forte dentro de mim, refletindo a presença dessa criatura que a cada dia lhe torna mais forte.

Essa menina que com sua preseça a fortalece, que com seus sorrizos a alimenta, que com suas palavras lhe dá vida e com seu amor a proteje da morte. Mal sabe ela que não é apenas à essa felicidade que ela mantem e protege, mas também à mim, um misero mortal que nada é sem ela.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Estradas

Muitas são as estradas que nos levam ao conhecimento. Muitas são as estradas que nos levam à ilusão. Muita são as estradas que nos levam à aventura e ao desespero.
Algumas estradas são restas, delineadas, específicas, calmas.
Você sempre sabe o que virá. Você sempre sabe com o que se deparará.
Ela é plana. É como uma linha traçada. Um plano do qual não há escapatória.
Essas estradas costumam serem profundas, marcadas pelo tempo, escritas não por quem anda, mas por aqueles que o antecederam.


Mas existem aquelas que não são retas. Que não são delineadas. Que não seguras.
Aquelas formadas por curvas, conhecidas pelo desconhecido, onde podem se esconder coisas e onde a vida anda mais lentamente, no entanto muito mais cheia de vivência.
São perigosas sim. Traiçoeiras talvez. Misteriosas já pela própria essência e estranhas, pois costumam levar em lugares onde nada se conhece.


Por fim. Existem aquelas estradas que nunca foram abertas. Aquelas que nunca serão percorridas. Aquelas cujos empreiteiros foram fracos de mais para suportar. Essas estradas não levam à lugar nenhum. São as piores, pois acabam antes mesmo de começarem.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Light and Darkness – Luz e Escuridão

Luz e trevas. Claridade e sombras. Alturas e profundezas. A cara e a coroa. Todas partes de uma mesma coisa, todas opostas entre sí. Nenhuma mais forte, nenhuma mais fraca, nenhuma mais ou menos importante.
Assim como o reflexo do nosso reflexo em um espelho, na vida também não se sabe qual face está para cima, qual face está para baixo. Pois na verdade as extremidades se invertem, andam lado a lado, são como duas faces de uma mesma moeda.
Em um mesmo sentido tudo isso se equivale, e se olhar-mos fixamente veremos um lugar onde as diferenças são iguais, onde preto e branco são só “um” dividido em “dois polos de uma mesma potência”.
Bem e mal. A pomba da paz, do Santo Espírito, contrasta com sua face oculta, com o mal que os homens acreditam “imitá-la”. A creça diz que demônios também se passam por divinos anjos de luz, pois essa é sua antiga face, as duas faces de um mesmo ser, duas coisas em um mesmo lugar.

A riqueza da Natureza

A natureza é por si só colorida, uma explosão de vida, uma verdadeira e a mais perfeita obra de arte da criação. Fico admirado pela quantidade e pela qualidade da vida. Seres tão pequenos, em um mundo tão apertado pairando em um universo tão descomunal. À isso eu dou o nome de equilíbrio divino!

Acima algumas fotos tiradas por mim, Gilberto Sendtko, sob a inspiradora supervisão de Cinara Burckardt. Mais fotos podem ser conferidas em www.flicker.com/sendtko

A verdade!

Afinal, tal qual a lua, nosso mundo é apenas uma bolinha girando no espaço sem fim, ao redor de uma pequena estrela, e nós apenas meros fragmentos animados de matéria dentro dele.

 

Olho para a imensidão do vazio, para as infinitas estrelas, e penso: quanta vida, quanta beleza, quanta diversidade e quanta potencialidade existe nesse vasto universo.

E o homem? Com freqüência nos consideramos superiores à natureza, mas nunca conseguimos nem ao menos cruzar nossa pequena galáxia. Quando assim penso, sinto-me pequeno, sinto fraco, sinto-me apenas uma pequena partícula em meio ao universo!

A pergunta que fica é: estamos sozinhos ou existem outras bolinhas azuis girando em algum lugar do universo e sendo colonizada por outros “pequenos fragmentos de matéria animada”?

ALGO NO QUAL DEVERÍAMOS REFLETIR.

Qual o nosso papel nessa sociedade? Sendo parte dela, não devíamos nós todos apoiar o seu melhoramento, tal como se fossemos um único grande corpo?

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Como conseguimos fechar os nossos olhos à noite sem lembrar de cenas como esta e muitas outras piores? Eis questões que ficam no ar e que não deixam a consciência calar.

Fantasmas

 

Quantas vezes, ao passar pelos bancos vazios e solitários de velhas praças, tivemos a impressão de que ali jaziam sentados aqueles que não podíamos ver com os olhos da carne? Quantas vezes estes bancos, cujo orvalho matinal costuma cobrir e cujos animais acompanham em respeito e obediência, parecem mais cheios de vida do que tudo ao nosso redor?

Quantas vezes queríamos nós sermos espíritos ali sentados, contemplando em paz e na solidão o mundo ao nosso redor?

Não sei o que você pensa, mas eu, ao olhar para estes bancos, sei no âmago do meu ser que eles não estão vazios.

Composição

A vida é uma série de fenômenos, composta por elementos, instituída por leis, movimentada por hierarquias e finalmente definida por composições.

Tudo o que fazemos, o que pensamos, o que desejamos, odiamos ou amamamos, e principalmente o que pedimos, tudo se espalha pelo universo, e nessa imensidão acaba por encontrar-se com coisas semelhantes, são atraidas por coisas afins, e em algum lugar algo ouve esse chamado, esse sinal, movendo-se e então finalmente responde.

E a resposta não tarda, ela é imediata!

Solidão

As vezes, quando sozinho em meio às águas, sentindo o gelar da pedra e o irromper das cascatas sobre o fundo branco e cristalino, sinto-me finalmente sozinho.
 
Sinto-me, pois sei que não estou.
Sinto-me, pois as águas levam lentamente um pouco de mim consigo, até quase me esvaziar por completo.
Sinto-me, pois o pouco de mim que permanece é adormecido pelo gelar das rochas, confundido pelas constantes ocilações dos choques entre água e pedra,  e barrado pelo estridente som de sua aparente batalha.
Sinto-me, pois quando todo o “eu” parece não mais existir, somente então nada o pode acompanhar.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Vazio

Agora, nesse momento, alguém importante está distante, uma peça fundamental da minha existência está longe e eu me sinto sozinho.
Quem dera eu pudesse preencher esse sentimento de vazio com outras coisas, mas ela é insubstituivel.
A cada passo que dou no meu quarto, de traz para frente, de frente para traz, percebo que o tempo não vai passar e a saudade vai vir inevitavelmente sobre mim.
Apenas conto os passos e aguardo sonhando acordado pelo seu rápido e feliz retorno!!!
Leves como o bater das asas de uma borboleta ficam os meus passos, pois meu coração se torna solitário. No entanto, muitos são as vezes que essas asas se batem, assim como muitas são as vezes que lembro de você!

Contraste / Contrast / Codarsnacht/ Kontras / לעומת זאת / Αντίθετα / Kontrast / Адрозненне / کنتراست / Отличие / تباين

Chuva

Pequenas, rápidas e estridentes são as ondas levantadas pelas milhares de gotas de água caindo à minha frente durante as fortes chuvas de verão.
As cortinas de água formadas por estranhas rajadas de vento parecem cortar o apertado estacionamento onde minha casa fora construída, enquanto dezenas de veias de água se formam no chão, correndo e tornando-o rico em desenhos como se fosse um grande pântano.
O ambiente, refrescado pelas correntes de vento que adentram as janelas, parece se silenciar e apenas o borbulhar das gostas de chuva permanece.
Aqui minha mente se liberta e vagueia por palavras que parecem tornar vivas no papel todas aquelas impressões desse mundo material.

Caixa preta

No fundo da minha alma se encontra algo, algo escuro, um pedaço sombrio do meu espírito, um pequeno buraco negro, um mistério escondido.
Lá, protegidos do tempo, imunes à luz e inalcançáveis até mesmo pela morte, estão pequenos símbolos, figuras que representam, que guardam e que ocultam toda a verdade sobre aquilo que hoje chamo de “Eu”.
Tenho muita curiosidade sobre como, quando e porquê aquilo se formou.... um mistério que permanecerá enquanto eu viver, e talvez até mesmo em próximas vidas, se é que elas existem.
Aqui me faltam palavras, signos, interpretações, termos e dados para conceitualizar isto que chamo de “minha pequena caixa preta”.

Gilberto Sendtko e
Cinara Burckardt

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Um conto de Natal - Filosofia Clínica - Lúcio Packter

Uma bela mensagem para essa data tão especial, proferida pelo nosso querido professor Lúcio Packter.


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Ana Simoa - Artesã (DVD VIVA)

Uma bela produção. Parabéns aos produtores.

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Palavras não dizem tudo!

Existem coisas que palavras não conseguem descrever, coisas que a boca não consegue exprimir, entre elas estão aquelas como a gratidão por você me fazer tão feliz nesse ano de 2010, esse amor por você que somente as batidas do meu coração conseguem descrever, alegrias contigo que apenas os sonhos conseguem agora me mostrar, mas que tenho certeza que em muito breve serão verdade, afinal nós sabemos que o teu coraçãozinho já é meu :)
Obrigado por todos os momentos de felicidade, por todos os sorrisos, por todo o apoio e todo o carinho que você tem me dado.
Menina, você não é desse mundo definitivamente, afinal só você me atura :D e é para sempre ;D ahshsahshas
Obrigado mais uma vez.

Bjs do Benhe Irritante para minha amada C.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

O ENCONTRO

As vezes eu me vejo perdido entre emoções e sensações estranhas, entre mensagens e viajens, entre iluções e lembranças... no fundo no fundo eu sei o que é real, o que pode ser real, e sei o que é muito mais importante do que a realidade.

As vezes, perdido entre ilusões, me pergunto se quero retornar ao mundo chamado Terra, e sempre acabo aqui, nessa densa e apertada matéria, pois sei que a verdadeira felicidade está aqui, entre aqueles e aquilo que eu tanto amo.

Não nego a existência de uma felicidade plena em algum reduto do universo, perto de nosso grande pai, mas digo que por hora essa felicidade humana já muito me satisfaz.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Quando a mente está vazia, quando nada se passa em seus pensamentos, quando simples imagens sem forma parecem vagar pelos seus olhos como se fossem estranhos símbolos sem conteúdo ou significado, quando nada se faz a partir do pensamento, e quando nada se experimenta, tendo resultado algum disponível, quando este trio (ação, hipótese, experimentação) está desconexo, paralisado, sem forma, sem conteúdo, sem cor, sem estrutura ... nesses momentos eu pareço estar perdido entre mundos e mundos, em coisas paralelas, em mentes que não são a minha mente, como agora...
Autor: Gilberto Sendtko
Correção Ortográfica: Letícia Fabrin (amiga do peito <3) ^^

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Dor

Não nego, a dor me torna mais humano...

Por muito tempo tentei não sofrer, tentei ser feliz neste mundo... agora apenas ando conforme o ritmo da musica, conforme o ritmo da vida... neste momento de dor e solidão eu choro, mas choro com a certeza que meu choro não esta fazendo entristecer-se quem eu amo... choro no silêncio, onde posso ouvi-lá em seus risos de alegria e de amor.... não são para mim eu sei, mas eu faço de conta que são, e nos meus sonhos, onde viver e sonhar é quase a mesma coisa, lá ela me faz feliz...

Cada vez mais este mundo se torna apertado para mim, cada vez mais a dor tenta me tornar humano, tenta me tornar um homem do mundo, mas ela não consegue me prender, seus laços não alcançam as profundezas da minha alma, e lá eu me escondo, e cada vez mais desato os nós que me prendem à esta pesada matéria.

Agradeço por cada alegria que me fez passar, não carrego a dor dos meus erros, pois sei que ela apenas me atrasaria, somente levo comigo teus sorrisos, a essência da tua alegria e o sonho de contigo estar...

Do Benhe pra sua Amore... de Best pra Best, de Irritante pra Chata :'(

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Quem sou eu?

 

São perguntas que sempre me faço:

  • Quem sou eu?
  • Por que eu sou eu?

Mas a verdade é que no fundo isso não tem impotância, nunca teve e talvez nunca tenha…. mas isso é assim para mim, pois cada um é conforme sua singularidade….

 

Eu sou a medida
de todas as coisas!!!

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Sonhando sonhos *-*


Um dos meus pedidos sempre foi encontrar alguém como eu, e apenas essa pessoa entenderia o que seria esse “ser como eu”... agora, porém, encontrei alguém que é muito mais do que eu, alguém que parece fazer da vida uma bela obra de arte, alguém que eu me orgulho em conhecer e invejo a magia que nela habita.
Quando me referi à alguém, eu não disse o que seria esse alguém, e para minha surpresa esse alguém se tornou uma das minhas mais importantes amigas, a pessoa mais fascinante que já conheci, alguém com quem eu amo falar como se fosse uma “irmã de alma”, mesmo fazendo tão pouco tempo que neste mundo nos encontramos.
Esta noite, após conversarmos por horas sobre espíritos, nuvens em forma de rostos, estrelas que cortam os céus, cheiros estranhos e amores perdidos, acabei por adormecer no sofá, e ali sonhei um sonho, um sonho estranho e lindo.
A noite era densa, mesmo assim me era visível a silhueta de velhas árvores retorcidas pelo tempo, que subiam aos céus como grandes trepadeiras de galhos que mais se assemelhavam à estranhas raízes. Essas árvores perpassavam o horizonte escuro e apenas uma pequena estrada existia à frente. Andei por ela em um tempo que parecia ser composto de várias e várias horas, longas horas de trevas, silencio e paz, quando finalmente deparo-me com um grande abismo, onde não avisto o fim, nem mesmo suas profundezas. Vejo as trevas desaparecerem e finalmente o ambiente se ilumina, não pela luz do sol, mas por estranhas estrelas cuja força é tamanha que perpassa os céus fechados e carregados de escuras chuvas.
Sinto o cheiro da terra molhada, como se uma gigantesca nuvem de pó se levantasse perante o cair de grandes chuvas invisíveis. Vejo uma luz azul levantando-se do fundo do precipício e pequenos pássaros por ele sobem, pássaros que incrivelmente são a fonte da própria luz, exaurindo um sentimento de temor e tremor.
Eles unem-se em uma única bolha de luz viva e cintilante. Intuitivamente pergunto “onde estou” e essa bolha de luz azul me responde “nos limiar dos sonhos de alguém” e nesse momento a imagem dela, sentada embaixo de uma grande e redonda árvore, se forma, como por um portal mágico. Literalmente era como se eu visse a imagem de uma irmã antiga e amada de que outrora me separei pelo simples véu do esquecimento, e essa irmanzinha de alma era você Bru.
Uma mão toca minha testa, movendo cabelos que eu nem sabia que estavam sobre minha face. Ouço uma voz ecoar apagando as imagens dos meus pensamentos, deturpando minhas sensações daquele lugar, e ela era insistente: Gil, Gilll acorda Gilll...
Do nada tudo desaparece e dá espaço à uma luz branca, irritando meus olhos. Vejo a face da Luu e lembro-me que estou na casa de um casal de amigos, apagado no sofá, e ela está me chamando, preocupada com o fato de eu me levantar com a coluna doendo.


quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

AS QUATRO MOEDAS DE DEUS



Deus nos dá quatro moedas e cada moeda possui duas faces, e são estas faces que definem nossas existências. Três destas moedas pertencem ao destino, uma representa a verdade, outra a aparência e finalmente a inevitabilidade, todas elas pertencentes a um destino deferido, mas variável, e por último temos a face do livre arbítrio. Somos nós que escolhemos quais moedas serão jogadas, somos nós quem definimos se elas serão jogadas, ou ainda se o jogo acontece. O risco que coremos não define a chance de existirmos, mas coexistirmos a nós mesmos. É você que escolhe o que deseja viver e o risco que quer correr sobre tal escolha, de escolher ou de ter as moedas jogadas à sorte de um destino desconhecido.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Ignor

Bela é a ignorância, pois ela nos concede forças e chão. Quando abrimos os olhos do espírito para além do conhecimento ignorante, nos perdemos, pois o além é infinito, sem certezas e resultados, é o caos e o equilíbrio divinos, incompreensível à mente humana. Não sei até onde vale a pena tal liberdade, pois que muito se perde de nós mesmos. É claro que este é um grande passo para a existência, mas qual será o resultado de tal ação? Estou longe de compreender as respostas. Sei que agora sou mais do que fui outrora, mas nada sou para aqueles que abandonei no passado da ignorância. Não posso trazê-los, pois seria condená-los às mesmas dores, mas também não posso suportá-los em seus mares e mundos de verdades pré-formuladas, as quais, para meu coração, ainda são muito significativas, pois são onde eu fundei as estruturas de meu ser, me soltando depois de suas correntes e partindo para além, para o desconhecido e incompreensível poder da sabedoria.

TEXTOS PERDIDOS - Livro "A Pequena Semeadora de Mundos"

Este livro não busca dar palavras à consciência. Não busca levar mensagens. Não busca criar esperanças ou emoções canções. Não busca nem ao menos entreter ou servir de passa tempo. Esta obra, a que tu te deparas, nada busca que você possa buscar em um livro. Ela apenas existe ao acaso do destino e da criação daquele que a escreveu. A aqueles que desejem seguir com tal leitura, eu vos proponho viverem-na, pois que nada acharão sem dela primeiro fazerem parte.

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Depara-te com uma História, uma História com um principio, mas provavelmente sem um fim. Ela te arrastará por tempos e tempos, fazendo sua consciência perder-se entre ilusões e lembranças. À medida que as páginas passarem, não saberá a diferença entre o que é, o que foi e o que será, mas não te assustes, pois tudo, absolutamente tudo, constitui-se de algo necessário para o entendimento. A cada página uma nova lembrança, uma nova existência ou uma nova fonte de realidade se mostrará, e cabe a ti desvendar essas linhas que a muito foram esculpidas na dura rocha de meu espírito.

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Autoria Gilberto G. Sendtko
Projeto "A Pequena Semeadora de Mundos"
PRONAC 08.2625
Ministério da Cultura, Governo Federal

Palavras do Autor

Sabe, é engraçado. O Senhor nos deu a vida e a ela nós fomos entregues. E nela se tornamos fugitivos de nossas próprias cadeias, senhores de nossas próprias dores e caçadores de nossos próprios medos. Somos sempre e acima de tudo criadores. Criamos nossas dores, criamos nossos amores, criamos nossos valores e costumes, criamos o circo e a eutanásia. Somos senhores sem trono, somos amantes de uma vida onde caçamos nossas próprias criações, onde buscamos aquilo que um dia desprezamos e até destruímos. Então, como podemos dizer que não somos livres, se aquilo que sentimos nem o próprio Criador ousa controlar? Criamos e destruímos, recriamos e reciclamos, fazemos e nos esquecemos, valorizamos, repugnamos e amamos, e ao fundo, quem sabe dizer o que é certo, errado, divino ou diabólico?
Eu não sei as respostas. Não tenho respostas nem enigmas à dar. Não tenho caminhos nem conselhos. Só o que sei é que amei, e amando passarei para sempre. Amei as companhias, amei as palavras, os gestos e as canções, amei os risos e os choros, as brigas e os abraços. Assim sendo, sou aquilo que um dia criei, em verdade, em sentimento, em vontade e em divina consciência. Que assim seja, pois assim é e assim para sempre o será.

V S S

Sabe... Quando me pego olhando para a primavera, contemplando o solstício de verão, as ondas do inverno ou os farfalhar do outono, não percebo o quão belos e imponentes eles são, não percebo a magia ou a vida, o ciclo ou a perfeição... Contemplo a sua existência em si mesma e o puro fato de eu poder saber que eles existem!

sábado, 14 de novembro de 2009

Sonhos acordados da madruga...


Tick... pleck...
Sons curtos e baixos... sons inexplicáveis da noite...
Escuto coisas ao meu redor, movendo-se, escondendo-se...
Durante a madrugada um universo de estranhos sons surge...
Estranhos e amedrontadores, como se coisas caminhassem na escuridão...
Coisas que nuca vi, mas que desenham fortes sombras em meus sonhos...
Coisas que sempre nos espiam e parecem provocar-nos à gritar...
De medo, de angustia, de pavor....


terça-feira, 3 de novembro de 2009

Primeiro definamos um blog

um blog...
um rabisco do meu ser...
um pequeno estilhaço do meu espírito...
algo que faz parte de mim, que não está em mim e que se move comigo...
um blog é algo difícil e simples...
algo importante e superficial...